UNDER SURVEILLANCE - SOB VIGILÂNCIA

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Ficha informativa

Autor Albano Cardoso
Edição
Ano de lançamento 2013
ISBN 978-989-96343-1-2
Número de páginas 204
Altura (livros) 255 mm
Largura (livros) 255 mm
Peso 0.900 Kg

Mais informação

A ideia do projeto nasce dum rabiscado-poema inacabado, escrito na ironia da alegada importância de vigilância pública electrónica, e ao mesmo tempo, sobre a inversão das competências instrutivas da TV, com o crescente interesse dado aos "reality shows". Tudo, fenómenos que contrastam com a aparente ausência de vigilância sob o faltoso mundo corporativo, neste 2008, ou ainda sob a precariedade no trabalho mineiro, necessitando tíe investimento tecnológico, ao nível da alta importância dos seus frutos financeiros. Exemplos que servem para falar de má alocação tecnológica e ética, no que a ciência e recursos já permitem para servir e proteger a vida humana. Entretanto, investimento privado e recursos públicos são aplicados para a legalização e promoção de jogos de fofoca e de invasão de privacidade, enquanto temos a integridade e a vida humana em risco. Senti-me desde aí, na posição de democraticamente exercer a mesma vigilância - desnecessária e necessária - com a câmara fotográfica e de forma metódica, sobre o que do meu redor, na cidade e nas pessoas, mais me aliciava.

Durante dois anos fotografei diariamente do mesmo exato lugar: A varanda dum terceiro andar, na Avenida 4 de Fevereiro - Avenida Marginal. A circulação, a diversidade de eventos, acompanhados desde um prédio, incitando esta ideia de exposição fotográfica em livro. Uma observação social feita diretamente através do pensamento e da lente de um fotógrafo insurgente, que colocado na artéria mais evocada da cidade capital, transforma o seu atelier de criação artística, num observatório solene. Resultando numa infinidade de fotos, e depois a pressão de lidar com a intensidade de escolher o importante para o foto-livro, de forma a faze-lo uno e interessante, usufruindo da sua diversidade temática. Que inicia, do aproveitamento dos mecanismos de rotina da cidade, ou ainda mais poeticamente: narra os fragmentos pulsantes da cidade de hoje. Pois achava todos os dias, que da janela, presenciava as cores do futuro. Tinha a confirmação que a atual dinâmica de liberdade financeira influenciava mudanças na estética da cidade, e no próprio cidadão local, consequentemente.

Comecei por organizar este trabalho, e aos poucos, buscando a fotografia digital como elemento adicional na minha comunicação artística e social. A escrita estabelecia-se, e a pintura pela primeira vez florescia também. Era o quente Dezembro de 2006, um ano depois de voltar à Luanda, e vivendo na secura dum hiato de dezasseis anos; vividos entre os Estados Unidos e Europa. Para começar a observância enriquecida na peculiaridade da geografia do lugar - a baía de Luanda -, pela sua sugestão estética, e na rotina das pessoas deslocando-se no seu próprio existir público. A perspectiva do ângulo de visão de cima oferecia-me inúmeras oportunidades de aproximação, e logo, de desmistificação da ideia de fronteiras, nos processos aleatórios de interação urbana. O Livro, por isso, apresenta retratos de intercessão cultural. Oferecendo, em cada uma dessas situações, uma abrangente leitura do objecto alvo: a cartografia do indivíduo na urbe, confrontada na diversidade pictórica do espaço. Permitindo-me dispensar, por exemplo, a exuberância do pôr-do-sol, e os clichés exóticos de cartão postal; rebatidos, e já acessível como dádiva, para ao invés aqui instigar o diálogo, e facilitar um outro olhar sobre arte, geografia e história. Enquanto intencionalmente este trabalho, celebra por si só a novidade Angola, e o seu espaço na contemporaneidade artística universal.

Esta coleção de pensamentos fotográficos celebra igualmente um tempo de paz - o fim da guerra civil'>':" ê à constatação do desenvolvimento social, que o Acordo de Entendimento, 4 de Abril, 2002, em Lwena, promoveu. Representando hoje, no meu entender, o primeiro momento de efetiva paz em Angola, em mais de quatrocentos anos de batalhas quer sejam étnicas, coloniais, por desempates territoriais, pela independência nacional, guerra civil, e até defesa da soberania. O tempo não se repete, e talvez também seja igualmente fugaz a hipótese de com ele aprender. A fotografia insurge-se em Under surveillance - Sob Vigilância, para ser um aliado na compreensão e aprendizagens sobre este tempo. Sentindo que mais importante do que identificar, ou alcunhar, o relevante é mesmo fotografar o tempo - gritando por ação urgente - e daí convocar propostas sérias, para serem ferramenta central, incluindo as competências que a arte se propõe oferecer para uma sociedade otimamente fértil.

Um ponto de vista pessoal, e transferindo um legado de informação sobre cultura, sociedade, estética, e tecnologia. Um fio a meada dum trabalho a desvendar. Um mapeamento de fotógrafo, desde o seu espaço de meditação e trabalho, focado na ressonância do movimento quotidiano, e permitindo a descodificação de vivências alheias, distintas, mas igualmente comuns, ou convergentes, na geografia e tempo angolano. O país sob observância em plena nova era de crescimento. Tempo agora aberto para uma estabilidade social nunca antes presente na cultura do indivíduo local. Luanda, quatro milhões de habitantes em 2009, comutando no mesmo, escasso espaço, conturbado e admiravelmente promissor, no entrementes.

Fotografia sobre o momento na feitura da história, apresentada como narração e aspeto de aprendizagem. Uma participação direta na compilação de factos na escrita da história nacional, aliás, escassa de arquivos sobre o passado ou presente, comparando ao que esta obra sugere. Vigilância estacionária a escassa distância do Porto Comercial de Luanda, o principal no país - que pela posição de grande importador, se torna - o porto- numa porta muito evidente desta particular crescença do país, e conforme aos relatórios financeiros da época. Geografia extensa onde paisagem, máquinas, e o indivíduo: transeunte, motorista, trabalhador, folião, cidadão, se expõe à palete de escolhas do fotógrafo. Com fotos que mostram instantes retirados da vivência de outros, pela importância estética e de colectividade, atribuídas por mim a essa espontaneidade social. Um trabalho de autor desenvolvido sobre, e para um contexto que presentemente não tem galerias, nem publicações de arte, desde há muito tempo. E que divergentemente, me posiciona a procurar gradualmente estabelecer um percurso construtivo de proximidades com audiências, colecionadores, interessados, media, docentes e legisladores, como núcleo de trabalho para a promoção consciente do inerente potencial educativo, e económico das artes.

Primeiro, ultrapassando as vicissitudes comuns a esta profissão assediada na via pública, por autoridades, pessoas, e pelo risco de expor o material possível de adquirir, na agressividade da cidade atual, decidi discretamente fotografar na segurança de dentro de casa - atelier. Originando numa estética fotográfica isenta, pelo ângulo de observação, que principalmente possibilita controlar o tempo, e favorece na disponibilidade sob o objecto fotográfico, que sem perceber - observado de cima - se declara, e contribui para um mapeamento cromático e social da época. Aliás, este é um dos objectivos fundamentais deste exercício; e propor fotografia contemporânea como sentinela deste novo tempo e espaço. Entre questões sobre o que faziam as pessoas, e que leitura possível da vida perdura de agora, enquanto a nação desperta para o crescimento, após o tempo de guerra, e pesa embora esta singular referência constar como marco central da sua história. Porque nos anos 80, durante a guerra civil, a escassez era tão óbvia que é evidente agora celebrar, através da fotografia, a existência de coisas tão simples como a carrinha que passa cheia de cestos com fruta e legumes: ou ainda a circunstância de agora existirem uniformes, não-militares, proliferando nos lugares públicos. Anunciando algum câmbio, naquilo que é a atividade central, comparando ao antigamente.

Outra diversidade na obra, acontece depois na trilha seguida, rendido que fiquei ao convite perfumado que vinha do exterior quando troquei a segurança do atelier pela aventura além portas. Celebrando a importância da minha vigilância pública. Proporcionando- se como reflexo, a fotografia de mais cenários - muito além da inicial escolha da vista para baixo, na avenida Marginal - e acabando mesmo por se vazar para outros espaços em Luanda, Bom Jesus, Caxito, Viana, depois Catoca, Cazombo, Dondo, N'dalatando, Mussulo, Saurimo, Sumbe, Wako-Kungo. Localidades todas em modificação, sobretudo Luanda, porque muito se alterou no mosaico estrutural de cada lugar, enquanto o livro se organizava.

Albano Cardoso

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